.: Vizinhança do Chaves :. DEFINITIVAMENTE CHESPIRITO. Chaves e Chapolin

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Antonio Felipe comenta sobre o fim do VdC e o atual “meio CH”: “Força para nós que seguiremos. Um dia nossa hora chegará. O tempo é implacável.”

Continuando a postagem de um ciclo importante de textos analíticos sobre a atual situação do “meio CH” e o fim do blog Vizinhança do Chaves, publicamos agora um bom depoimento do jornalista Antonio Felipe sobre isto:

A história do que se convencionou chamar de “meio CH” é tão extensa que até daria tema de livro. Enormes reviravoltas, surpresas, brigas, paixão, ódio, uma série de eventos e pessoas que se encontraram em torno de um ideal e, partir dele, construíram uma ampla rede de sites, fóruns e páginas dedicadas a Chaves e Chapolin.

Comecei a testemunhar essa construção em 2003, quando acessei meus primeiros sites na web. O meio já estava estabelecido havia quatro, cinco anos pelo menos. Um fórum buscava concentrar os principais sites, todos eles geridos por jovens adolescentes e alguns adultos. Os sites eram produzidos à mão, usando gerenciadores como Frontpage e upados em servidores como Geocities, hPg, Kit.net, entre outros.

A cada semana, os webmasters dos sites se esmeravam para levar aos seus leitores um conteúdo novo. Todo fim de semana estavam lá nos fóruns: “atualização semanal”, “grande atualização” e suas variações. Os webmasters anunciavam a inclusão de textos, colunas, curiosidades, às vezes um vídeo em baixa qualidade (tempos de internet discada, lembre-se) e uma música.

Cada atualização gerava boa repercussão. Os donos dos sites disputavam audiência entre seus espaços, se esforçavam para oferecer conteúdo exclusivo, design diferenciado, inovações ainda incipientes na internet que mal entrava na banda larga. Naquele tempo, você falava exatamente para quem se sabia que consumiria tal conteúdo. Era um nicho muito bem estabelecido, com pessoas que buscavam se incluir nas comunidades para compartilhar gostos em comum. E, eventualmente, haviam os internautas de passagem, que gostavam daquele conteúdo, mas não se envolviam tanto.

O tempo foi passando. Alguns sites começaram a sair do ar. Fomos crescendo, novas responsabilidades e desejos surgiram, outras coisas já chamavam a atenção. Vieram as redes sociais, formando espaços mais dinâmicos para conversar, estar entre os seus. A internet começou sua revolução do instantâneo, em que cada informação era consumida no momento em que acontecia.

Além disso, rompeu-se a lógica do clubinho, onde você necessariamente tinha de ingressar em um meio para ser reconhecido, conquistar espaço. Já não era mais preciso dominar práticas de HTML, edição de vídeo e tudo mais. O conteúdo já estava ali para ser aproveitado. As redes estão ali, com milhões de pessoas conectadas e você pode fazer as suas próprias conexões, sem depender de um agente concentrador como um fórum. Você faz o conteúdo, sem intermediários. Você cria uma página, uma conta no Twitter, tudo em poucos minutos.

As redes também permitiram a expansão do compartilhamento do gosto. Hoje pouco importa se você é fã extremo, fã, ou apenas gosta de ver Chaves na TV. O like é o mesmo. Aquele público de nicho, que consumia todo o suco da informação, ficou pequeno diante da enormidade que ganhou conexão. Não há mais aquela necessidade de reconhecimento.

Escrevo tudo isso para demonstrar a enorme complexidade que resulta no fechamento de um site como o Vizinhança do Chaves. Era, talvez, o único site puro ainda em plena atividade, sem estar ligado a um fórum ou página no Facebook.

O fim do VdC representa de forma cristalina a falência desse modelo de nicho. Trago aqui minha própria experiência à frente do Fórum Chaves: oriundos desse modelo, nós buscamos nos adaptar para o formato das redes sociais. Com contas no Twitter e Facebook, agregamos um público gigantesco, do qual uma parcela, apenas, é do nicho que consome CH por inteiro.

A nossa permanência exigiu uma adaptação completa às mídias de hoje: coberturas em tempo real nas redes sociais; memes e todos os tipos de produtos nas páginas para gerar compartilhamento; diálogo com pessoas de fora desse meio. Foi uma maneira inescapável de garantir a nossa perenidade nesses tempos dinâmicos de Twitter, Facebook, Periscope etc. Ou fazíamos isso, ou estaríamos fadados a nos encolhermos.

Mas isso tem um preço, e falo de forma muito pessoal: hoje, mesmo com trabalho e faculdade, tenho de dedicar uma boa parte do tempo para cuidar do fórum, produzir conteúdo, fazer a relação com outros meios. Não é um processo fácil e foram anos de aprendizado na marra, na lida diária com esse sistema complexo. Algo que exigiu menos horas de sono, muitas incomodações, mas também trouxe prazeres e sorrisos.

Poucos são os que podem fazer isso. Não é um luxo que se pode dar hoje em dia, se você não fala para uma grande audiência. E, por isso, mais do que entendo a decisão do VdC de fechar as portas. Pelo que foi relatado, a audiência do site estava caindo, o tempo dos autores, diminuindo… Então, como prosseguir nesse processo, sem um retorno adequado?

O VdC resistiu bravamente o quanto pôde e fez um trabalho admirável na produção de conteúdo sobre CH, com o registro quase integral das notícias sobre CH, curiosidades e, ainda, uma historização do próprio “meio CH” que vivemos. Nesse ponto, o VdC resulta ser mais uma vítima do processo incontrolável da internet. Ou você se adapta, ou você sacrifica muito do seu tempo, ou será engolido pela lógica da internet social.

Com mais de dez anos de meio CH, apenas lamento que tantos sites tenham fechado as portas, que outros tantos tenham deixado de contribuir com essa rede. Mas os entendo perfeitamente.

Parabéns e obrigado por tudo àqueles que tanto fizeram e que, hoje, estão deixando esse meio. Força para nós que seguiremos. Um dia nossa hora chegará. O tempo é implacável.

Por Antonio Felipe

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1 comentário

  1. Eduardo

    Nosssa… Sem palavras… Vou ali tomar me secar, tomar um fôlego e já volto………………………

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