.: Vizinhança do Chaves :. DEFINITIVAMENTE CHESPIRITO. Chaves e Chapolin

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Boa Noite, blog Vizinhança do Chaves

Confira o excelente depoimento de JoãoB, outro usuário de longa data no “meio CH”. Ele fala não apenas sobre o fim do blog Vizinhança do Chaves, mas também sobre o contexto que envolve o “meio CH” atualmente:

Olá pessoal! Como vocês estão? Gostaria de me apresentar. Meu nome é João Batista, sou o JoãoB dos fóruns CH. Eu sou formado em Relações Internacionais e assisto Chaves desde que tinha mais ou menos 4 ou 5 anos. Não faço parte da equipe do blog, mas participo do “meio CH” e fui convidado a escrever este texto para a despedida do VdC. Para mim, é uma grande prazer escrever para o VdC, que é um dos melhores espaços sobre CH na internet. É uma pena que este espaço está se despedindo, mas a decisão é totalmente compreensível. Isso está relacionado ao “meio CH” de atualmente, que será o tema do meu texto.

Eu devo ser uma das pessoas que está há mais tempo no “meio CH”, porque comecei a entrar em sites e acompanhar tudo sobre Chaves há mais de 10 anos. Mais precisamente, comecei em 2003. De lá para cá, tudo mudou muito. Naquela época, parecia que qualquer coisa sobre CH, ainda que fosse algo simples, era uma grande novidade para os fãs. Alguns exemplos: quando o SBT exibiu pela primeira vez a cena final do episódio do julgamento (1ª parte), em que o Chaves aparece de frente e de perfil, como se fosse um criminoso, isso foi muito comentado na internet. Ou quando encontraram no livro “Jornal Nacional – A notícia faz história uma pequena citação à “Chaves” e “Chapolin“, de apenas duas linhas, na página 223, em que o jornalista Geneton Moraes Neto falava de como as séries CH ameaçavam a audiência do “Jornal Nacional” na década de 1990. Isso foi muito comentado também. Os sites e fóruns eram frequentemente atualizados, trazendo informações sobre as séries. As histórias sobre os episódios perdidos e os episódios nunca apresentados no Brasil geravam muita discussão.

Só que, nessa época, as informações sobre CH no Brasil ainda eram muito escassas. A imprensa raramente falava das séries, e quando falava era para falar mal, dizer que Chaves era “pobre”, “tosco“, “sem qualidade”, etc (Sônia Abrão, nas suas reportagens do programa Falando Francamente no SBT, foi a única pessoa da imprensa que eu vi falando bem de CH nessa época). Não tinha DVDs, bonecos, livros, nem nada de CH à venda por aí – na melhor das hipóteses, alguém encontrava aqueles bonecos da Abekas ou os gibis da Editora Globo, mas eles já eram antigos, foram lançados lá para o início dos anos 1990. As vindas dos atores ao Brasil eram raras. Quando o Edgar Vivar veio em 2003, foi uma grande festa, muita gente em todas as regiões do país se mobilizou para recebê-lo no aeroporto, ir assisti-lo no “Falando Francamente, visitar ele no hotel… Foi como se o país estivesse indo receber a seleção brasileira depois de ganhar a Copa do Mundo. Com tudo sobre CH sendo tão escasso assim no Brasil, era natural que antes qualquer notícia sobre CH mobilizasse a todos. As lendas e mistérios, como “Acapulco foi o último episódio com Quico?”, “Quem é aquela Iara da sala, que só aparece em um episódio?” também ajudavam a ter mais discussão no “meio CH”. E se o SBT tirasse “Chaves” ou “Chapolin” do ar, os fãs faziam até abaixo-assinado para voltar. A mobilização dos fãs, inclusive, teve destaque na imprensa internacional duas vezes. A primeira foi em agosto de 2003, quando “Chaves” saiu do ar no SBT pela primeira vez: tão grande foi a revolta dos fãs que Sílvio Santos teve que trazer o seriado de volta menos de duas semanas depois da saída. A segunda foi em 2005, quando o SBT ameaçou não renovar o contrato das séries com a Televisa. A força dos fãs pedindo a renovação foi tamanha que a emissora de Silvio Santos retomou as negociações com a Televisa e, no final, após uma disputa que incluiu Record, Band e até a Globo, “Chaves” ficou mesmo no SBT.

Com o tempo (e principalmente depois do lançamento do desenho do Chaves), tudo isso mudou. Os mistérios foram solucionados, os episódios perdidos voltaram, episódios inéditos estrearam. As séries deixaram de ser exclusivas do SBT e foram para a TV paga, para o Netflix e para o Youtube. Os produtos, antes escassos, encheram o mercado graças ao desenho do Chaves – até já se havia tido uma tentativa de ter mais produtos da série original no Brasil, como os DVDs da Amazonas Filmes, mas foi com o desenho que surgiu uma quantidade enorme de produtos. A imprensa agora traz mais informações e trata Chaves com mais respeito (ainda bem!). Agora todos já sabem praticamente tudo que há para saber sobre as séries. E se o SBT tirar do ar, pode até fazer falta, mas muita gente vai poder continuar assistindo em outros lugares. Não fica mais aquela sensação de que, saindo do ar, é como se as portas da vila se fechassem e os personagens sumissem para sempre. Assim, as novidades praticamente se foram e toda aquela mobilização que os fãs faziam por causa das séries já não acontece mais, perdeu muita força. E a tendência, infelizmente, é que isso continue.

O desenho do Chaves até que trouxe algumas novidades nos últimos anos, como episódios com roteiros inéditos (diferentes dos da série original) e a realização de uma peça de teatro com o personagem Chaves. Mas a série animada já acabou há dois anos. Além disso, o desenho do Chaves também desagradou muitos fãs e não conseguiu fazer o mesmo sucesso que o seriado. Particularmente, acho que o desenho foi bom nas duas primeiras temporadas, mas decaiu muito nas outras, e acabou não conseguindo manter a mesma essência do original. E a série animada do Chapolin, lançada no ano passado no México, está disponível no Youtube; mas não parece ter despertado muita curiosidade nos fãs CH até aqui. Pelos episódios que assisti, o desenho do Chapolin me pareceu melhor que o do Chaves, até acho que poderia fazer mais sucesso no Brasil quando estreasse na televisão brasileira. Mas aí há outro problema: quando vai estrear (se estrear)? Tchuin tchuin tchum clain!

Como já foi comentado pelo Furtado em sua coluna, muitas pessoas que frequentavam os sites e fóruns CH anos atrás eram pessoas jovens. Depois de um tempo, estas têm que assumir mais responsabilidades, o que acaba levando-as a frequentar menos o “meio CH” ou até se desligar dele por completo (eu mesmo fiquei anos afastado dos fóruns e sites; só voltei neste ano).

A vinda dos atores ao Brasil agora é mais frequente. Para muitos, elas perderam a graça, no sentido de que, se não pudermos ir neste ano, terá de novo no ano que vem; não parecem ser mais tão surpreendentes. Por outro lado, os atores geralmente vão para as regiões Sul e Sudeste do país e pouco para as outras. Talvez para quem não é dessas duas regiões, e consequentemente não está tão acostumado a ver os atores de perto, a vinda dos atores ainda consiga empolgar mais. Ainda assim, o “meio CH”, de uma forma geral, continua decaindo.

Tem também algo que afetou e muito o “meio CH” (para mim, o mais importante): a morte de Chespirito, em novembro de 2014. Não é mais o mesmo ver “Chaves” depois disso, ficou uma sensação de vazio e de que o “meio CH” sem ele está “menos feliz”. Claro, ele estará para sempre vivo em nossos corações. Mas ele faz falta. É difícil explicar, mas parece que uma parte da alegria em acompanhar tudo sobre CH foi embora com ele.

Qual será o futuro do “meio CH”? Os fóruns cada vez mais tem menos movimento, os sites se vão um atrás do outro… esse cenário gera muita preocupação.

Apesar desse momento, há algo que acredito: Chaves é eterno. Mesmo que os fóruns e sites não continuem, que tudo se acabe, a obra de Chespirito continuará querida e amada para sempre.

Bem galera, é isso. Chegamos ao final, mas não é uma despedida eterna. Muito obrigado ao Victor, pelo convite para escrever o texto. E muito obrigado blog VdC, por tantos bons momentos que nos proporcionou! Para encerrar, abaixo está uma letra que acho que expressa o que estamos sentindo neste momento. Grande abraço a todos.

 

Quantas vezes como agora

A reunião se estendeu,

Até que chegou a aurora

E nos surpreendeu.

As estrelas testemunham

Nosso amor e semelhança,

Boa noite meus amigos,

Boa noite vizinhança!

Prometemos despedirmos

Sem dizer adeus jamais

Pois haveremos de nos reunirmos

Muitas vezes mais.

 

Boa Noite, Blog Vizinhança do Chaves.

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