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Conversas Furtadas #03: 2005, o ano em que Chaves quase foi para a Globo

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Oi, pessoal! Após merecidas férias, voltei, mas vamos voltar para o passado nessa coluna. Topa? Para quem não lembra, em 2005, o Brasil foi varrido pelo “mensalão”, escândalo de corrupção no governo Lula que afetou todo o cenário político e econômico de então. No meio televisivo, o SBT perdia audiência rapidamente para a Rede Record, emissora que começara a incomodar a TV de Silvio Santos no ano anterior, ao investir em jornalismo e teledramaturgia. A programação popular do SBT havia sido suplantada por produtos muito semelhantes aos exibidos pela Rede Globo, líder de audiência. Em desespero, Silvio Santos contrata Ana Paula Padrão, Jorge Kajuru e Adriane Galisteu para levantar o IBOPE e muda constantemente programas e grade de programação.

A edição nº 1921 da revista Veja trazia na capa o escândalo que envolvia o presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti. A editoria de televisão trouxe a reportagem “O legítimo comandante Chaves”, de Ricardo Valladares. O texto de apoio informava: “Sem querer querendo, o humorístico criado pelo mexicano Roberto Bolaños virou o santo milagreiro do SBT.”. O repórter estava se referindo ao fato de “Chaves” ser o programa de maior audiência da emissora, superando artistas de contratos milionários e programas caros, chegando a incomodar até mesmo a Globo.

QUADRO

A reportagem destacou o rápido efeito da entrada do seriado em horários complicados: “No mês passado, por exemplo, a ida da jornalista Ana Paula Padrão para o horário das 19h15 desmontou várias outras atrações. O Programa do Ratinho foi um dos mais atingidos: deslocado para anteceder o jornalístico de Ana Paula, despencou para 5 pontos de média. Chaves entrou em seu lugar, às 18 horas, e imediatamente dobrou a audiência do horário. Em sua outra janela, às 12h45, surtiu o mesmo efeito. Não só as estrelas do SBT morrem de inveja dele. Em 2000, quando a global Ana Maria Braga disputava com Chaves a audiência do início da tarde, seu programa tomava surras diárias. No páreo com Malhação, no ano anterior, o mexicano fizera ainda mais estrago: ao livrar vários pontos de vantagem sobre o concorrente, deflagrou uma crise na direção da atração da Globo.”.

O baixo custo da atração foi outro ponto levado em conta: “Chaves também custa relativamente pouco a Silvio Santos: 3,5 milhões de reais ao ano, contra os 18 milhões anuais que ele despende apenas com o salário de Ratinho, sem contar os custos com produção.” “Chaves” e “Chapolin” quase saíram do SBT em 2005, cujo contrato vencia em 31 de maio daquele ano. A Globo estaria disposta a pagar 1,5 milhão de dólares por ano, o triplo do valor pago pelo SBT (500.000 dólares anuais), o pacote incluiria 250 episódios de Chaves e quase 600 de Chapolin e Chespirito. No entanto, a emissora queria colocar os programas na geladeira ou em horários periféricos da programação.

O cartunista Igor C. Barros era webmaster do site “Tinha que ser o Chaves”, muito acessado na época, e imaginou as séries nas madrugadas globais em ilustrações. Infelizmente não temos todas imagens que Igor criou, pois o site saiu do ar há anos, apenas uma que simulava a exibição de Chapolin:

Record, Bandeirantes e Rede TV! também manifestaram interesse pelos seriados de Chespirito na época. Os fãs, já numerosos e organizados na Internet, organizaram sites e emails de protesto direcionados ao SBT. O fim da novela, que durou algum tempo, deixando chavesmaniacos aflitos, em 13 de junho foi confirmada a permanência de “Chaves” no SBT.

Imagine “Chaves” e “Chapolin” fora do SBT. Na Record, a maratona de episódios seguiria, como foi feito com “Pica-Pau” e “Todo mundo odeia o Chris”, até ambos programas saturarem. Chris já incomodou inclusive a inabalável audiência de “Chaves” no SBT. Já a Band sempre tenta emplacar enlatados e nunca consegue. Nos anos 90, as séries protagonizadas por Carlos Villagrán duraram pouco tempo na grade. Em 2009, “Punky, a levada da breca”, sucesso no SBT entre os anos 80 e 90, durou três meses sem grandes resultados.

A Rede TV! sempre quis programas no estilo de “Chaves”, pois já havia exibido o malfadado “Miguelito” e exibia, à época, “Vila Maluca“, sem grande repercussão (a não ser pelas “coincidências” com o programa do SBT). Para finalizar, fique com este vídeo que imagina a exibição de “Chaves” na Globo:

Por Seu Furtado

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6 Comentários

  1. victor235

    Lembro de tudo isso aí, inclusive dessas matérias. As li na época.

    Quanto ao exercício de como seria “Chaves” na Globo, interessante o logo “raiz quadrada” e o sub-título “uma vila muito atrapalhada”.

    • Esse logotipo foi retirado deste vídeo, Victor: https://www.youtube.com/watch?v=0Nvu8IYyc6c

      • victor235

        Detalhe para o “para ler enquanto carrega o vídeo”. Da época em que o Youtube permitia fazer o óbvio: pausar o vídeo, deixá-lo carregando e assistir em seguida.

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