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Mesa Quadrada #9: México 73

Sem títuloOlá, pessoal! Aproveitando que estamos em época de eleição, trago a vocês uma coluna sobre o especial “México 73”, que, talvez, seja a abordagem da política mexicana mais marcante nos programas de Chespirito. Tenham uma boa leitura!

Antes de começar a falar sobre o especial, é necessário entender um pouco o contexto político após a Revolução Mexicana. Depois do México ter tido um cenário de “guerra civil”, que é como alguns especialistas rotulam a revolução que envolveu personagens como Zapata e Pancho Villa, Alvaro Obregón assumiu a presidência de 1920 a 1924. Em 1928, ele ganhou novamente as eleições, porém, acabou sendo assassinado.

A partir desse episódio, o ex-presidente Plutarco Elías Calles criou, em 1929, o PNR (Partido Nacional Revolucionário), que logo mudaria para PRM (Partido da Revolução Mexicana) e para o conhecido nome PRI (Partido Revolucionário Institucional). O partido, que tinha a finalidade de normalizar a situação do país, esteve no poder até o fim do século XX. Gustavo Díaz Ordaz, primo de Elsa Bolaños Cacho, a mãe de Roberto Gómez Bolaños, foi eleito presidente de 1964 a 1970.

E o que é exatamente o “México 73”?

Sem título

Durante a “Era Clássica” de CH (1970 a 1979), dois políticos assumiram a presidência mexicana: Luis Echeverría Álvarez (1970-1976) e José López Portillo (1976-1982), velhos conhecidos de Roberto durante sua juventude. Eles integraram o grupo de jovens “Los Halcones”, que rivalizava com o grupo de Chespirito e Horacio Gómez, o “Los Aracuanes”. E foi no governo do primeiro presidente citado que podemos presenciar alguns assuntos políticos em Chaves e Chapolin, como a piada sobre os “energéticos”, derivada da crise do petróleo nos anos 70, e, é claro, a campanha México 73.

Enquanto Echeverría esteve no poder, muitas manifestações ocorreram, sobretudo um envolvendo o próprio grupo que foi integrante quando jovem. Mas, apesar de um aumento significativo da dívida mexicana, muitos foram os gastos públicos realizados por ele para políticas de avanço. No jornal “El Informador”, da cidade de Guadalajara, publicado no dia 06 de agosto de 1973, podemos encontrar as expectativas que o governo tinha para o crescimento do México na esfera econômica e social.

Ainda no mesmo no dia, há informações sobre a necessidade de conscientizar o povo mexicano sobre educação sanitária, além de uma preocupação maior com o turismo do estado de Jalisco. Aliás, nessa questão turística, na época, foi criado um programa chamado “Creácion México 73”, que englobava as maneiras de levar um pouco da cultura mexicana a nível internacional.

Não dá para saber ao certo se há relação com a campanha “México 73”, mas o objetivo de ambos eram iguais: conscientizar os mexicanos sobre alguns temas, como saúde, educação, alimentação e, como podemos ver em Chaves, Seu Madruga e os outros personagens falam até mesmo na questão da demografia.

E, no final das contas, qual é a relação disso tudo com o Chaves?

Bem, façamos uma analogia com a campanha de vacinação contra a gripe suína realizada no Brasil uns anos atrás. Normalmente, podíamos ver artistas da Globo conscientizando os brasileiros sobre a importância da vacinação. E essa é a questão: um grande meio de comunicação pode influenciar e muito uma população, é o poder que a mídia tem sobre nós.

A mesma coisa aconteceu e ainda acontece no México, certamente. A Televisa é a maior rede de televisão mexicana e, naquela época, Chaves já fazia muito sucesso. Era a fórmula perfeita para influenciar qualquer pessoa sobre qualquer assunto. O usuário bofi78, do Foro del Chavo del Ocho, fala um pouco sobre isso:

“…incluso (Esto me lo cuentan mis hermanos, yo no era ni proyecto en ese entonces) habia capsulas entre los programas con documentales educativos que hablaban de muchos temas de indole nacional, incluso el Chavo hace referencia de los mismos, en fin toda una campaña lava cerebros para hacernos sentir mejor aunque no lo estuviéramos tanto”

Ou seja, a campanha “México 73” estendeu-se para outros programas. Mas o fato é que, nas séries CH, tinha que ter um espaço para abordar essa campanha do governo, afinal, eram fenômenos televisivos iniciados naquele ano e que perduram até hoje.

E é isso aí, pessoal! Eu sei que é meio difícil se interessar por assuntos políticos, sobretudo se for de outros países, mas fica para vocês uma curiosidade do cenário da política mexicana na época das nossas séries favoritas. E, não querendo pregar moral em ninguém, mas, esse ano, deem valor aos seus votos. Ainda que seja algo até meio utópico, eu diria, o voto é a maior ferramenta para tentarmos construir um país melhor (perceberam, aproveitando o recorde de visualizações do VdC no mês passado, estou usando de um meio de comunicação, a internet, para influenciar vocês rsrsrsrsrsrs).

Até a próxima!

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2 Comentários

  1. victor235

    Parabéns pela coluna, interessante sabermos mais sobre a história política e cultura mexicana. Bem sacado o parêntesis final.

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