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Mesa Quadrada #8: 30 anos de Chaves e Chapolin no Brasil

Leia também: Há 30 anos, Chaves e Chapolin estreavam no Brasil

Há exatos trinta anos, estreavam, em terras brasileiras, dois dos maiores fenômenos televisivos da América Latina: Chaves e Chapolin. É claro que eu não deixaria passar em branco essa data tão importante para o meio CH. A oitava edição dessa coluna será dedicada especialmente a isso. Tenham uma boa leitura!

É quase que obrigatório para os CHmaníacos saber tudo a respeito de Chaves e Chapolin no Brasil. Os lotes de dublagem, produtos relacionados às duas séries, a história dos episódios perdidos em 1992… É uma jornada de 1984 até os dias de hoje, cheia de contradições, boatos, surpresas, enfim… Atualmente essas informações estão facilmente disponíveis em qualquer meio, por isso não as abordarei. O que vocês, leitores do VdC, irão conferir são alguns pontos interessantes sobre o início das duas séries no nosso país.

Prólogo – 1981

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Silvio Santos na cerimônia de abertura do SBT. Esse ano a emissora completou 33 anos de existência.

É dado como certo que Chaves e Chapolin desembarcaram em terras brasileiras em 1981. Podemos encontrar isso em livros, sites e por que não em jornais? Claro que eu não estou falando aqui de jornais brasileiros, mas seja qual for o país de origem, é uma informação relevante, afinal, estamos falando de um dos meios de comunicação mais acessível do século XX. Confira um trecho de uma matéria traduzida do jornal “El Tiempo”, da Colômbia, publicada no dia 30 de agosto de 1981:

“É a quarta vez que [Chespirito] vem à Colômbia. Em uma dessas ocasiões (para gravar um comercial) e esteve menos de 24 horas, e em outra ainda não desfrutava da fama. Estará uma semana aqui e pretende visitar a catedral de Zipaquirá. Serão, então, sete dos sessenta dias que passa fora do México em virtude de suas turnês artísticas. Ainda ficarão pendentes três países: Porto Rico, Bolívia e Paraguai, os únicos países latino-americanos que ainda não pisou. Pisou pessoalmente porque seus programas, exceto Brasil e Cuba, são exibidos no resto da América Latina. Antes do fim do ano projetarão-se no Brasil e iniciarão na Europa com a dublagem de suas séries na Itália.”

É interessante notar que essa matéria foi publicada dias depois da inauguração do SBT, que ocorreu em 19 de agosto de 1981. Notamos, então, que Silvio Santos solicitou logo de imediato conteúdos da Televisa para preencher a programação da então TVS. Para quem ainda tinha dúvidas quanto ao ano da chegada de Chaves e Chapolin ao Brasil, aí está mais uma prova.

O mediador entre o SBT e a Televisa

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O homem responsável por mostrar ao nosso país as obras de Chespirito. Fonte: Jornal do Brasil.

Silvio Santos procurava as melhores alternativas para estruturar a programação da sua emissora. Escolheu, então, pacotes oferecidos pela Televisa, que, junto com a Rede Globo, eram e ainda são as maiores redes de televisão do mundo. É claro que o fator principal da escolha do Senor Abravanel era o baixo custo em adquirir os produtos da “gigante mexicana”. Mas, para que as negociações ocorressem como planejado, era necessário alguém de confiança do Patrão e, ao mesmo tempo, que conhecesse bem os produtos que estavam sendo oferecidos para a TVS. Um contrato oneroso tinha que ser firmado entre as duas empresas.

O brasileiro Augusto Marzagão, o responsável por trazer Chaves e Chapolin ao Brasil, assim como as novelas mexicanas, fez carreira dentro da Televisa durante 20 anos, após criar o Festival Internacional da Canção para a TV Rio e Rede Globo. Começou na área de eventos especiais da empresa, na época em que a emissora ainda se chamava Telesistema Mexicano. Logo depois passou para vendas, até chegar na vice-presidência da Televisa. Confira um trecho de uma entrevista dada por ele ao Jornal do Brasil, em 23 de junho de 1991:

“A primeira novela mexicana exibida no Brasil, Os ricos também choram, chegou aqui por meu intermédio. Assim como Chispita, o Chaves, Chapolim.”

Ele ainda menciona que o SBT, naquela época, já tinha intenção de adquirir o programa Chespirito:

“Tem um outro programa – vou revelar com exclusividade – que está para chegar. Chama-se Chispirito. É feito com uma parte do grupo de personagens do Chaves. Agrada muito no México.”

Se devemos agradecimentos ao Silvio Santos por ter dado espaço às séries CH em sua emissora, ao Augusto Marzagão devemos mais do que isso, afinal, o cara era um visionário, apostou que os programas da Televisa dariam certos no território brasileiro, não é à toa que foi ele quem sugeriu ao Silvio que adquirisse a novela Carrossel. Só para encerrar essa parte, mais um trecho dele sobre o Chaves:

“…o grande escritor argentino Jorge Luis Borges, que, cego, apenas escutava televisão, dizia que, para ele, o personagem mais humano era o Chaves. O que acontece é que o brasileiro se acostumou com a beleza visual. Agora é que ele começa a ver uma linguagem mais simples.”

Sabemos perfeitamente que essa colocação não cabe só ao Chaves. Chapolin também transmite a mesma magia que seu co-irmão. Feliz dos brasileiros que começaram a dar valor para o mais simples, ainda que um pouco tarde, mas acertaram na decisão.

A hora da verdade

Se tudo ocorria bem nas negociações entre o SBT e a Televisa, a seleção de qual conteúdo mexicano iria ser aproveitado já não era bem assim. As novelas mexicanas eram aprovadas, até pela necessidade da TVS ter dramalhões em sua programação. Todavia, com Chaves e Chapolin, a coisa era diferente. Como bem dito por Augusto Marzagão na mesma entrevista citada acima, logo quando ele apresentou as duas séries aos diretores da TVS, logo foram rejeitadas por serem rotuladas como “lixos”. Confira o que Luciano Callegari, um dos diretores da época, disse sobre o Chaves:

“Quando a série Chaves me foi apresentada no SBT, não me interessei, em razão da péssima qualidade da imagem, e também me pareceu na oportunidade que não teria grande chance de sucesso na nossa grade.” Retirado do livro Chaves – Foi sem querer querendo?

Certamente os diretores tiveram a mesma opinião sobre o Chapolin ao verem aquele herói atrapalhado atuando em cenários precários e figurinos simples. Há versões que contam que até mesmo o Silvio Santos reprovou ambas as séries, o que vai contra ao que é muito conhecido no meio CH. Mas, felizmente, o Senor Abravanel fez a escolha certa e optou por deixar Chaves e Chapolin na programação de sua emissora. Quem dera se aqueles diretores tivessem tido a mesma impressão do povo da pacata cidade de Lagoa do Barro, em Piauí, ao assistirem Chaves pela primeira vez na vida, ou melhor, ao assistirem televisão pela primeira vez em 1993. Por lá, as séries CH só estão na casa dos 20 anos ainda…

Versão Maga

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Marcelo Gastaldi, um dos grandes nomes do sucesso de Chaves e Chapolin no Brasil.

Passado o maior desafio, agora era hora de adaptar Chaves e Chapolin para a nossa língua. Uma equipe de profissionais competentes, liderados, inicialmente, por Marcelo Gastaldi, Osmiro Campos, Potiguara Lopes e Nelson Machado foram os responsáveis pela dublagem das séries. O trabalho era feito em uma cooperativa independente de dubladores ligada ao SBT, a Maga. Eu não hesito em dizer que já tivemos a melhor equipe de dubladores desse país, aquela que não se preocupou em apenas levar aos telespectadores dois programas dublados, mas dois programas com a cara do Brasil. Luiz Mendes, antigo diretor do programa Bozo e o responsável pelo antigo Tele Chaves, compartilha da mesma opinião:

“Mérito também de quem traduziu e dublou os episódios, porque se a tradução fosse feita ao pé da letra, Chaves jamais faria sucesso.” Retirado do livro Chaves – Foi sem querer querendo?

Ainda que com algumas dificuldades que a língua espanhola apresenta, como os falsos cognatos, a dedicação da equipe de dublagem foi grande para fazer um bom trabalho, isso é notório. Nelson Machado dá mais detalhes a respeito disso no mesmo livro citado acima:

“O trabalho de tradução foi difícil, pois o programa tem muitas piadas e trocadilhos que tiveram de ser adaptados para ter sentido na versão brasileira.”

Portanto, ao pararmos para assistir Chaves e Chapolin em português, devemos passar a enxergar o empenho que duas grandes equipes de profissionais tiveram para nos divertir: uma que tira o sorriso dos nossos olhos, e a outra que tira o sorriso dos nossos ouvidos.

Chaves e Chapolin apresentam-se para o Brasil

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As séries CH provavelmente foram acolhidas pelo programa “TV Powww!”

Depois de três anos da inauguração do SBT, a emissora procurava aumentar a sua audiência com novos programas, como a novela Chispita e a estreia do quadro Porta da Esperança. Em meio a lançamentos de novas atrações, Chaves e Chapolin dão as caras em 24 de agosto de 1984, e o que muitos pensam que tenha acontecido no programa do Bozo, não foi exatamente assim, isso de acordo com algumas novas informações.

Ao pesquisar a data de estreia no Jornal do Brasil (Rio de Janeiro), podemos nos deparar que as séries CH eram exibidas no horário das seis da tarde, exatamente quando passava o programa “Sessão Sorteio da Tarde”, atração que ora ficava a cargo da Mara Maravilha, ora ficava a cargo do Bozo. Há possibilidade de que essa sessão fosse um quadro do infantil “TV Powww!”, onde alguns dizem que foi nesse programa que as séries CH estrearam. Aliás, em uma entrevista ao The Noite, do Danilo Gentili, Sérgio Mallandro diz que foi ele quem pôs o primeiro episódio do Chaves no ar exatamente nesse programa. Se é uma pegadinha ou não, é mais um relato de que as duas séries não estrearam exatamente no programa do Bozo, que passava no horário da manhã.

De qualquer forma, naquele dia de 1984, ao serem exibidos os episódios “O matador de lagartixas”, do Chaves, e “Aristocratas vemos, gatunos não sabemos”, do Chapolin, ambas as séries começariam a trilhar um sucesso enorme aqui no Brasil.

30 anos depois…

Para o nosso querido Chapolin, a situação não é tão ruim assim. Estamos tendo a oportunidade de acompanhar a série na internet, com direito a exibição de algumas aberturas dubladas e a revelação de datas de exibições originais. Contudo, a possibilidade do Polegar Vermelho voltar para a televisão é remota. A impressão que é nos dada é que os atuais diretores do SBT parece com os de trinta anos atrás, não conseguem enxergar que o Polegar tem tanta genialidade quanto o Chaves.

Quanto ao menino do barril, ainda que aparenta ter um bom tratamento por parte da emissora, ainda não é o desejável por muitos fãs. Saturação, cortes, vários episódios engavetados novamente… Torcemos para que isso melhore, ao menos para que ambas as séries tenham um reconhecimento digno de todos aqueles que se divertem por tantos anos nesse imenso Brasil.

Até a próxima!

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5 Comentários

  1. victor235

    Coluna sensacional. Não teria texto melhor para ficar em destaque aqui no blog nesta data de hoje. Parabéns por buscar informações em jornais e citações, por apresentar fatores do sucesso das séries no Brasil e pela sua opinião. Coluna de jornalista profissional.

    • ChapolinColorado

      Muito obrigado, Victor! Não tinha como não fazer uma edição especial para hoje, mesmo tendo pouco tempo para escrever.

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