.: Vizinhança do Chaves :. DEFINITIVAMENTE CHESPIRITO. Chaves e Chapolin

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Mesa Quadrada #7: Chaves e Chapolin, dois dos maiores símbolos culturais do México

Cá estou eu novamente. Hoje, trago a vocês uma coluna referente a algo marcante que aconteceu nesse Mundial de 2014. Não, não falo da derrota histórica do Brasil contra a Alemanha (que, nesse momento, temos um resultado de 87 x 10). Falo da presença especial das séries CH nessa Copa do Mundo, que reforçou ainda mais a importância de Chaves e Chapolin na cultura do México. Tenham uma boa leitura!

É incrível o que vimos nessa Copa referente a CH: uma multidão fanática não só pelo futebol mexicano, mas também pelas obras de Chespirito; montagens e referências usando Chaves e Chapolin; presença dos atores e comentários dos mesmos sobre o Mundial… O México foi muito bem representado pelas séries CH, séries que sempre fizeram questão de mostrar um pouco das tradições e costumes mexicanos, um país culturalmente rico, seja na culinária, na música, enfim… Vamos ver um pouco mais sobre isso.

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Os maiores torcedores do México

Culinária

Bem, vamos começar pela melhor parte, né? Em Chaves, podemos ver típicos pratos mexicanos. No episódio “Panquecas pra dentro, barriga pra fora”, no original, temos as quesadillas, uma massa feita de milho, recheadas com pancita, uma sopa que leva pança de vaca ou de porco. Agora ficou claro para alguns a piada da indigestão feita pela Dona Clotilde. Também é conhecido como menudo, sendo que daí veio a confusão com a palavra “menu” no episódio “Os penetras – parte 1”. Nessa história, os personagens estão comendo os famosos tacos, que não passa de uma tortilla de milho. E, novamente, a Maga adaptou para panquecas. Onde está o nosso famoso pastel? kkk

De sobremesa, os churros acompanhados com chocolate quente dão as caras na saga “A Sociedade”. É bom lembrar que tanto o doce quanto a bebida são bem diferentes do que estamos acostumados aqui no Brasil. Os churros mexicanos, além de levarem recheios diferentes, podem simplesmente ser açucarados. O chocolate é normalmente feito com barras derretidas. Ou seja, nada de Nescau ou Toddy.

E no Chapolin? Não se preocupem, há uma comida bem inesperada por alguns, já que o nosso próprio herói é uma iguaria no México! Aproveitam-se da nobreza dele, não? O inseto homônimo, quando bem frito, é muito apreciado pelos mexicanos. Quanto às bebidas, há ainda outra bem típica no México. Não, não falo do refresco de tamarindo. Estou me referindo à Água de Jamaica, citada no episódio “A mansão dos duendes”. É feita através da flor-de-jamaica (hibisco vermelho), em geral, vendida seca. A bebida passa pelo processo de infusão para ser bebida fria. Brindemos com os nossos amigos duendes!

Esporte

Todo mundo sabe que o futebol é o esporte mais popular do México, e que Chespirito sempre procurava falar sobre o mesmo. Mas, além do futebol, beisebol e boxe também são apreciados pelos mexicanos. Eu até poderia citar a tourada, tema de uma saga do Chaves, mas muitos nem consideram como esporte, fora que é um espetáculo bem controverso.

Voltando ao beisebol e ao boxe, o primeiro é bastante lembrado nas séries CH pelos episódios “O álbum de figurinhas” e “O jogo de beisebol”. O segundo, além de episódios do Chaves, também é lembrado em algumas histórias do Chapolin. Diferencia bem da lucha libre, outro esporte popular no México, sendo esse último mais representado no “Chaves Animado”.

Cinema

O longa-metragem “Allá en el Rancho Grande” (1936), do diretor Fernando de Fuentes, é considerado o filme que deu início à era de ouro do cinema mexicano. E é justamente essa produção que Chespirito representou na saga “O Show Deve Continuar”. Como toda paródia dele, essa não foge da proposta estabelecida, que é manter a essência do original, mas também tendo o toque do humor CH, a começar pelo título.

Ainda falando do cinema mexicano, não há nenhum filme que seja campeão em todos os sentidos, uma produção do próprio Bolaños. “El Chanfle” (1979), ainda hoje, é a maior bilheteria do cinema mexicano. Tamanho sucesso levou Chespirito a continuar trabalhando nas telonas, surgindo “El Chanfle 2”, “Charrito: Um Herói Mexicano”, entre outros. No episódio “Vamos ao cinema?”, no original, os personagens assistem ao filme “El Chanfle”, uma das poucas vezes que um trabalho de Roberto, além da televisão, é citado.

Literatura

Mesmo tendo grandes escritores e obras, Chespirito não explorou a literatura mexicana, de Sóror Juana e Juan Rulfo, em suas séries. Contudo, a que mais se aproxima do estilo do país é de Don Juan Tenório, do espanhol José Zorrilla, parodiada em um episódio do Chapolin. A história de Zorrilla é muito popular no México, sendo comum ser apresentada uma peça teatral no feriado Día de los Muertos, uma tradicional celebração mexicana de origem indígena.

Artes visuais

Mesmo sendo o país de Frida Kahlo, uma das maiores pintoras do século XX, Chespirito representou o trabalho de outro artista mexicano: David Alfaro Silqueira. Uma das suas pinturas, a Nuestra Imagen Actual, é mostrada em três episódios do Chapolin, sempre gerando uma situação cômica. Assim como essa obra e outras dele, a temática de Siqueira é o sofrido povo mexicano, protagonista da luta de uma sociedade mais justa, a sociedade socialista utópica.

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Me dê o agrado

Religião

Como o México é o segundo país mais católico do mundo, o assunto não poderia ficar de fora nas séries CH, sempre deixando claro que nenhuma religião é melhor do que a outra, ainda que pareça que Chespirito tenha dado um pequeno deslize no final da saga dos “Espíritos Zombeteiros” (falarei logo em seguida). Temos os episódios natalinos, um clipe dedicado a São Francisco de Assis, mas o destaque, a meu ver, fica por conta das menções ao Dia de Reis, bem diferente das comemorações aqui no Brasil. No México, as crianças recebem os presentes de natal no dia dos Três Reis Magos: 6 de janeiro. Lá eles ainda festejam comendo Rosca de Reys, um pão doce em forma de coroa de flores.

E o espiritismo também está presente em Chaves e também em Chapolin. Talvez seja pela facilidade em criar situações cômicas, não sei… Mas, como disse acima, Chespirito pode ter deixado os finais das versões de “Os Espíritos Zombeteiros” comprometidos. Como sabemos, Dona Clotilde diz que somente pessoas ignorantes acreditam em fantasmas ou coisas do gênero. A minha opinião é que Bolaños nunca teve essa intenção. Fica da interpretação de cada um…

Música

Terra dos mariachis, um símbolo reconhecido do México, a música mexicana também está presente nas séries CH. Os famosos chapeleiros já citados aparecem no episódio “O fantasma da vila”, na tentativa do Professor Girafales de fazer uma serenata para Dona Florinda, aliás, mesmo que esse estilo de música tenha origem espanhola, foi no México que ele ganhou a fama que se espalhou mundo afora. Taca la petaca!

Quanto às canções, o destaque fica por conta da Quiero Ver, de Ignacio Fernández. Cantada tanto em Chaves quanto em Chapolin, a canção é bem conhecida no Brasil. Outra do mesmo autor é a Adiós mi chaparrita, tocada na primeira versão de “O Festival da Boa Vizinhança”. É bom saber que a Maga preservou essas canções, acho que também nem tinha motivo para não fazer isso…

Antigas civilizações

Claro que isso não ficaria de fora. Na minha opinião, não há nenhum outro país tão rico em sítios arqueológicos. Sou apaixonado por isso e fico impressionado com o que as antigas civilizações fizeram no atual território mexicano. Isso é explorado tanto em Chaves quanto em Chapolin. Acho que eu nem preciso dizer mais nada, né?

E é isso que eu queria mostrar a vocês. Chaves e Chapolin enraizaram tudo de bom que o México tem para mostrar ao mundo, e isso é mais gratificante de ser ver em eventos importantes, como foi com a Copa do Mundo. Várias pessoas fantasiadas de Chapolin, Chiquinha, todos foram acompanhar a seleção mexicana; buscas por Chapolin e Chaves dispararam na internet; memes usando as séries foram vistos aos montes, até mesmo na eliminação do México; atores CH agradeceram o carinho dos fãs durante o Mundial, enfim…

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Com essa seleção ninguém pode

A explicação para essa “Copa CH” é uma só: o evento foi realizado no Brasil, na América Latina. O país sede tem muitas semelhanças com o México, e Chaves e Chapolin conseguiram aproximar ainda mais esses dois países. Que venha logo a Copa de 2018! Que toda a cultura do México seja novamente bem representada pelas obras de Chespirito.

Até a próxima!

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4 Comentários

  1. victor235

    O novo Arkantos, parabéns pela coluna!

    Na parte de literatura, já que citou um autor espanhol, podia ter citado as referências CH a Dom Quixote também.

    Quem diria que este quadro do Chapolin faz referência ao socialismo.

    Rachei da sua legenda – “me dê o agrado”.

    • Valeu, Victor! Eu gosto de pôr um pouco de humor nos textos para dar uma descontraída. 🙂

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