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Documentos Confidenciais #03: A imprensa e CH

Agradeço aos leitores pela repercussão desde a estreia, que continuem gostando da coluna!

Hoje vou tratar sobre a imagem de CH na imprensa brasileira, desde a década de 1980 até hoje. Assim como os demais produtos da Televisa, durante muito tempo, Chaves e Chapolin foram considerados programas horríveis e que apenas retardados achariam graça. Porém, nos últimos anos, a imprensa vem dando um ar cult às séries.

Em 1989, o jornalista Ingo Ostrovsky, do carioca Jornal do Brasil, fez uma crítica ferrenha às séries na crítica “A droga que faz a cabeça”. Entre outros adjetivos, como “aberração televisiva”, Ostrovsky critica tudo. Segundo ele, a tradução e a dublagem são péssimas e os figurinos não entrariam sequer na Casa Turuna (tradicional loja de fantasias carnavalescas do Rio de Janeiro).

Percebemos vários preconceitos e absurdos nos argumentos de Ostrovsky. O dublador Márcio Seixas, a voz de atores como Morgan Freeman e Cristopher Walken, considera que a dublagem de Chaves é uma das melhores já feitas. A tradução adaptou muitos mexicanismos ao Brasil.

Anos depois, em 1993, mais uma reportagem do Jornal do Brasil criticava Chaves. Desta vez, o autor era Arthur Santos Reis. A reportagem criticava a programação do SBT, e Chaves, pois foi o primeiro programa de TV assistido na cidade de Lagoa do Barro (PI), onde os moradores assistiam a televisão pela primeira vez.

Segundo ele, a novidade era “patética”. Mais uma vez, o preconceito por Chaves ser um programa mexicano e de comédia pastelão.

Em 1997, a jornalista Vera Jardim, do Jornal do Brasil, publicou crítica sobre a estreia de Chespirito na CNT. Foi o texto mais incisivo que encontrei. De começo, Vera afirma que o programa Chespirito é “o pior programa infantil da televisão”. Os outros argumentos são “os nomes dos personagens são esdrúxulos” e Roberto Gómez Bolaños é uma espécie de doutor Frankenstein dos infantis forasteiros”. Mais a frente, vamos analisar alguns pontos defendidos pela jornalista.

Na edição de 07 de setembro de 2005, há exatos 8 anos, a Revista Veja publicava a reportagem “O legítimo comandante Chaves”, por Ricardo Valladares. Dessa vez, o seriado não era desprezado e sim a sua audiência alta, superando astros do SBT na época, como Ratinho, Ana Paula Padrão, Hebe Camargo e Adriane Galisteu.

Nas quatro reportagem citadas podemos perceber claras diferenças. Nas três primeiras, um tom depreciativo. Na última, um tom engrandecedor. Como escrevi no inicio do texto, Chaves e Chapolin eram consideradas programas retardados. Os textos de  Ingo Ostrovsky, Arthur Santos Reis e Vera Jardim tem este pré-conceito impregnado.

Ora, se Chaves e Chapolin fossem programas idiotas, não fariam o sucesso que fazem. A popularidade dos seriados no Brasil chega a superar o país original, México. Ostrovsky afirma que os seriados não ensinam nada de bom às crianças. O que não é verdade. Chaves, principalmente, traz ideias de amizade, companheirismo, ajuda ao próximo. Quem não se lembra da canção “Queria Ter Sido um Pastor”?

Além disso, alguns textos trazem várias informações erradas. Vera Jardim chama Chómpiras de “Jôpiras” e Chimoltrufia de “Ximotrúfia”. E ainda cita que o programa é uma cópia mal feita de Chaves e Chapolin, quando estes são programas-irmãos! Já Ostrovsky afirma em sua crítica, que Chespirito e sua família participam dos seriados, o que é mentira, pois Paulina Gómez participou em apenas duas temporadas do programa Chespirito (1994 e 1995). Na época do texto, o programa sequer havia sido exibido no Brasil.  E Horácio Gómez intepretava Godinez, um papel secundário que pouco aparecia em Chaves. Na época do texto, o programa sequer havia sido exibido no Brasil.

Vera Jardim também afirma que o programa Chespirito é infantil, sendo que nunca foi, inclusive a fase exibida no Brasil é de um humor mais adulto. Esta generalização de infantil é dada pelo próprio SBT, porém Roberto Gómez Bolaños rotula os programas como “para a família”.

A reportagem da revista Veja traz inúmeros dados: Chaves alcançava 10 pontos de média em 2005 e custava 3,5 milhões anuais aos cofres do SBT. Também afirma que o seriado não traz vulgaridade nem modismos, sendo sempre atual. O que é verdade, pois Chaves e Chapolin são atemporais, e encantam todas as gerações. Note que a reportagem é respeitosa com o seriado, não ofende e ainda enaltece as obras. Essa tem sido a percepção da imprensa nos últimos anos em relação à CH.

Os detratores do seriado estão enganados. Como já disse, Chaves e Chapolin fazem um humor pastelão, que é atemporal, e seu público vai de crianças de 8 anos a idosos de 80. Este gênero humorístico já havia aparecido em seriados como “Os Três Patetas” e “O Gordo e o Magro”, programas da década de 1930 que continuam tendo fãs e sendo exibidos.

O que você prefere? Um humor pastelão, sem vulgaridades, sem obscenidades? Ou um humor estilo “Zorra Total”, onde o que prevalece é o baixo nível das situações? Você decide, telespectador.

Gostou? Comente!

Por Seu Furtado

Leia também: Crítica: não reconhecimento por parte da mídia

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7 Comentários

  1. victor235

    Uma das melhores matérias já escritas por você.

  2. VINICHCIUS

    APOSTO QUE DO ZORRA TOTAL NINGUEM FALA MAL{APENAS POR SER DA GLOBO

  3. ricardo silva

    Cara ate hoje, a gente assiste chaves e da muita risada ( e olha que a gente já assistiu o mesmo episódio 60, 70 vezes rsrssrs ) bem diferentes de certos programas de humor, que para ter um pouco de audiência, apela para vulgaridades e obscenidades ….

  4. Paulo

    Chaves como você disse, é atemporal… Zorra Total é uma das cosas mais horríveis que já vi..Já vi e não consigo sequer dar uma mínima risada…

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