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Críticas sociais na saga “O primeiro dia de aula”

Neste segundo artigo de minha coluna analisarei as críticas sociais contidas na saga “O primeiro dia de aula”, executada em dois episódios.

O primeiro episódio da saga se inicia com Chaves conversando com Quico e Chiquinha sobre o primeiro dia de aula. Chaves indaga sobre o fato de ambos ainda não terem ido à escola, lembrando que aquele seria o primeiro dia de aula. Quico e Chiquinha respondem que estavam esperando seus respectivos pais terminarem de se arrumar. Chaves lembra que as crianças devem ir à escola, não os adultos e questiona a razão de estarem esperando seus pais. Quico responde que no primeiro dia de aula as crianças devem ir à escola acompanhadas de seus pais. Chaves pergunta o que devem fazer crianças que vivem na orfandade. Quico não entende o significado da palavra e Chiquinha explica que são as crianças que não têm pai ou mãe.

Posteriormente, Dona Florinda aparece e se diz pronta para levar Quico à escola.  Quico pergunta se não deveriam esperar o Seu Madruga e Dona Florinda se espanta com tal possibilidade.  Seu Madruga aparece para levar Chiquinha à escola, mas tanto esta quanto Quico regressam a seus respectivos lares em busca de seus esquecidos materiais escolares. Seu Madruga e Dona Florinda começam a dialogar e acabam se desentendendo, ele foge do local com rapidez, levando Chiquinha consigo. Certo tempo depois, Dona Florinda inicia a caminhada para levar Quico à escola. Neste momento, Chaves está visivelmente triste por não ter um pai ou uma mãe que possa acompanhá-lo à escola e fica pensativo sobre ir ou não à primeira aula. Por fim, decide ir à escola.

Podemos observar nos primeiros cinco minutos desse episódio uma grande crítica social sobre as dificuldades encontradas pelas crianças órfãs para se adaptarem ao meio em que vivem.

De acordo com dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), estima-se que haja cerca de 143 milhões de órfãos nos países subdesenvolvidos.[1] A cada dia mais 5.760 crianças se tornam órfãs. Mais 2.102.400 crianças se tornam órfãs a cada ano somente na África.[2] Cerca de 3,7 milhões de crianças brasileiras são órfãs de pai ou de mãe. O Brasil está na nona posição entre os países em desenvolvimento com o maior número de órfãos no mundo. O maior número de órfãos, no entanto, está na Índia – mais de 25 milhões – mas os países onde a AIDS tem forte incidência contam com números cada vez mais expressivos de órfãos.[3] Na Rússia e na Ucrânia, estudos mostram que cerca de 10% a 15% dessas crianças cometem suicídio antes de atingirem dezoito anos de idade. Tais estudos também mostram que 60% das meninas se tornam prostitutas e 70% dos meninos se tornam criminosos. Outro estudo diz que dos 15.000 órfãos que crescem fora das instituições todos os anos, 10% cometeram suicídio, 5.000 estiveram desempregados, 6.000 viveram desabrigados e 3.000 estiveram na prisão.[2]

Tais estatísticas são apenas estimativas e algumas crianças de rua raramente são incluídas. Apesar disso, os números apenas refletem as dificuldades que tais órfãos encontram para desenvolverem suas vidas.

No mesmo episódio e no seguinte da saga, podemos observar outra crítica social. Ainda no primeiro episódio, Seu Madruga deixa Chiquinha na escola para o primeiro dia de aula. Ao iniciar a caminhada de retorno ao seu lar, encontra Dona Florinda, que está enfurecida e quer descarregar sua raiva a todo o custo. Seu Madruga foge e se esconde dentro da sala de aula. Dona Florinda encontra o Professor Girafales e deixa Quico sob sua responsabilidade para assistir à aula. Ao retornar à sala de aula para lecionar, o professor estranha a presença do Seu Madruga, que afirma estar ali apenas para dar uns últimos conselhos à Chiquinha de como se comportar. Saindo da sala de aula, Seu Madruga se depara com Dona Florinda, que tenta esbofeteá-lo, sem sucesso. Seu Madruga consegue escapar e retorna à sala de aula. Dona Florinda não se mostra disposta a tentar invadir a sala de aula para agredi-lo e prefere aguardar sua saída.

Quando Seu Madruga retorna à sala de aula, o professor questiona se ele realmente deseja levar a sério o curso. Seu Madruga confirma sua suposta intenção e ainda lembra que muitos dizem que nunca é tarde para aprender. O professor concorda e o felicita pela coragem de enfrentar as possíveis gozações das crianças.

No segundo episódio da saga, Professor Girafales consegue observar pela janela da sala de aula a presença de Dona Florinda no pátio da escola. Ele interrompe as lições e deixa a turma sob a responsabilidade de Seu Madruga. Conversando com Dona Florinda no pátio, surpreende-se ao saber que Seu Madruga estava assistindo à aula para fugir dela e não para aprender. Estava decidido a retirar Seu Madruga da sala de aula, mas Dona Florinda o convence do contrário, dizendo que seria melhor aproveitar a oportunidade para dar algum tipo de instrução.

Notamos no primeiro e segundo episódio uma grande crítica social sobre as dificuldades que determinadas pessoas encontram para concluírem os estudos enquanto jovens. Podemos notar também uma grande mensagem de incentivo para que tais pessoas retomem os estudos até mesmo na maturidade.

Uma pesquisa sobre o perfil dos idosos brasileiros revela que quase metade da população acima de 60 anos admite dificuldades para ler e escrever. De acordo com o documento “Idosos no Brasil: vivências, desafios e expectativas na 3ª idade”, 49% dos idosos do país são analfabetos funcionais – 23% dos entrevistados disseram que não sabem ler ou escrever, 4% afirmaram saber apenas escrever o próprio nome e 22% declararam ter dificuldade com a língua escrita, seja por escolaridade insuficiente ou problemas de saúde.[4]

Nos minutos finais do segundo episódio da saga, Seu Madruga, ao perder a paciência no ensinamento sobre frações, pergunta ao Professor Girafales:

– Diga, o senhor aguenta isso todos os dias do ano?

O professor responde:

– E os recreios também, Seu Madruga.

Seu Madruga faz novo questionamento:

– Mas então por que continua?

O professor explica:

– Porque apesar de tudo, Seu Madruga, tenho fé nas crianças. E se queremos construir um mundo melhor, aqui está a base.

Observamos em tal diálogo, uma mensagem de incentivo e apoio à educação das crianças de todo o mundo. Com a educação, tais crianças se desenvolveriam satisfatoriamente ao longo dos anos e se tornariam pessoas preparadas para resolverem suas maiores necessidades no mundo contemporâneo.

Números do Censo do IBGE mostram que quase um milhão de crianças ainda não têm garantido um de seus direitos mais básicos, previsto pela Constituição de 1988: estudar. Apesar de o problema ser mais grave nas regiões Norte e Nordeste, nenhum estado conseguiu até hoje incluir todas as crianças de 6 a 14 anos na escola. Esta população de não estudantes representa 3% do total da faixa etária. Se a esse grupo forem incorporados as crianças de 4 e 5 anos e os jovens de 15 a 17 (que passam a fazer parte da faixa etária de escolaridade obrigatória a partir de 2016), o número aumenta para 3,8 milhões, ou 8% do total.[5]

Em suma, podemos perceber na saga “O primeiro dia de aula”, críticas sociais sobre as dificuldades das crianças órfãs, das pessoas que não conseguem concluir os estudos enquanto jovens, além da mensagem favorável à educação para as crianças.

Por Arkantos

Referências:

[1]http://www.unicef.org/sowc06/press/who.php

[2]http://skywardjourney.wordpress.com/orphan-statistics/

[3]http://gazetaweb.globo.com/gazetadealagoas/acervo.php?c=103370

[4]http://noticias.uol.com.br/ultnot/brasil/2007/05/07/ult2041u220.jhtm

[5]http://www.gazetadopovo.com.br/ensino/conteudo.phtml?id=1280681&tit=Brasil-ainda-tem-um-milhao-de-criancas-sem-escola

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10 Comentários

  1. Mateus

    Chaves também é cheio de criticas sociais, lembro de uma também, quando o seu barriga decide que o seu madruga deve permanecer em sua casa, sem expulsa-lo de lá …
    ele diz: se essa “gente” não poder ficar aqui, em que lugar vão morar ?? (mais ou menos isso)

  2. vinicius pereira maia

    deixo uma mensagem aki:chaves foi feito com o unico proposito de mostrar a sociedade os prblemas enfrentados por ela mesma

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